Para Daniel, a vida estava realmente uma droga. Naquela manhã, ele havia acordado, planejando sair para trabalhar e, como todos os outros dias, ser humilhado por seu chefe e por seus colegas, que o consideravam um idiota imprestável.
Todo santo dia, ele chegava ao trabalho e encontrava sua cadeira quebrada, ou seus papéis desorganizados, seus arquivos importantes apagados do computador e nos piores dias, sua mesa completamente vazia.
Hoje, começou diferente, assim que chegou ao serviço, um colega de trabalho seu chamado João (o que era mais parecido com um amigo que Daniel já tivera, o que não queria dizer muita coisa.) o chamou:
- ô Daniel, o chefe está chamando você no escritório dele, e rápido.
Quando ele virou as costas, indo em direção a sala de Romeu, seu chefe, ouviu seu “amigo” falar por suas costas.
- Esse não volta mais.
Ele abriu a porta, com o nome de seu chefe em dourado, e entrou, a sala destoava completamente do resto da empresa, era um lugar feito por um homem que gostava de aproveitar todo seu dinheiro.
- Daniel, sente-se, por favor. Falou ele, apontando para a cadeira estofada.
- Sim senhor.
- Bem Daniel, você sabe que está faltando pessoal na empresa, por isso, você não terá férias esse ano, me desculpe.
Ele se levantou em um pulo, com a cadeira indo alguns metros para trás e batendo na parede.
- Como assim? Faz cinco anos que eu não tiro férias, esse ano eu tenho o direito.
- Você destruiu propriedade privada dezenas de vezes, roubou seus colegas e colocou seu nome no serviço deles, você tem muita sorte de eu não ter te demitido assim que entrou.
Subitamente, ele se lembrou de onde estava, não em sua casa ou em qualquer lugar conhecido, mas em uma empresa, onde ninguém gostava dele.
- Sim senhor, obrigado pela oportunidade de ficar na empresa, estarei no trabalho amanha de manha bem cedo senhor.
- É assim que se fala.
Mais tarde ele saiu da empresa, foi de carro até a casa de sua namorada, que disse que queria falar com ele imediatamente.
Chegando na casa dela, viu que estava sorridente, mais que o normal.
- Oi amor, eu finalmente escolhi para onde iremos viajar nas férias!
- Desculpe meu amor, mas meu chefe tirou minhas férias desse ano, mas poderemos ficar juntos mesmo assim.
O sorriso dela se fechou, e no lugar surgiu um olhar de desprezo.
- Eu sabia que você era assim, você agüenta tudo calado, aposto que você nem discutiu com seu chefe não é?
Daniel ficou calado.
Ela voltou para dentro de sua casa, e disse:
- Volte a falar comigo quando virar homem.
E então a porta a sua frente se fechou, e com ela, a única coisa que realmente importava na vida de Daniel.
Ele ligou lentamente o carro, depois de horas, tentando fazer com que Julia abrisse a porta. O motor começou a pegar, e o carro foi andando até o fim da rua. Por mais que Daniel acelerasse, o carro se recusava a ir a mais de 20km por hora, o que era angustiante.
Ele tentou ir assim até sua casa, no outro lado da cidade, mas em um determinado momento do circuito, o carro morreu.
Tremendo de raiva, ele foi até a frente do carro e abriu o capô, e a fumaça que saiu dele foi tão densa que escorreram lágrimas dos olhos dele.
- Merda de carro, nunca funciona quando agente precisa!
Ele começou a empurrar o carro, esperando encontrar um posto de gasolina perto, o problema, é que o posto mais perto estava a mais de dois quilômetros dali.
O posto de gasolina era grande e tinha um aspecto sujo, Daniel pode percebê-lo a distancia, pois havia um letreiro luminoso, que falhava de cinco em cinco minutos.
Chegando lá, foi recebido por um grupo de punks, que não ficaram felizes com a sua presença.
Estava calmamente colocando gasolina em seu carro quando um sentiu uma presença atrás de si.
- Cara, passa todo teu dinheiro se não quer morrer.
Ele sentiu o cano da arma em sua costela, e tudo que pode fazer foi pegar a sua carteira no bolso e largá-la no chão.
- Obrigado. Falou o punk rindo.
O estampido, a dor, a escuridão.
Ele acordou alguns dias depois no lixão perto do posto, não sabia como tinha resistido a tanta perda de sangue, e naquela hora, não importava.
Arrastou-se até o posto, e sentia sua carne na barriga, mas estranhamente, não doía. Havia um carro parado na frente dele, e Daniel não perdeu tempo. Quebrou o vidro com o cotovelo e abriu a porta.
Para sua sorte (ou quase), a chave estava dentro do carro, ele achou aquilo muito estranho, mas decidiu ignorar, dando a partida.
O carro se locomovia lentamente, mas para Daniel, não importava, tudo que ele queria era chegar em sua casa.
Desceu do carro e subiu as escadas até seu apartamento no quarto andar, e não precisou nem abrir a porta, pois estava apenas encostada.
Dentro dele, havia uma decoração natalina, diferente tudo que ele já vira, era incrivelmente bonita.
Embaixo do pinheiro, havia uma caixa, apenas um único presente, e surpreendentemente, era endereçado a ele, com uma pequena mensagem.
“De um amigo, espero que possa te ajudar.”
Dentro da caixa, havia uma arma.
Subitamente, ele se lembrou de seu chefe, de sua namorada, de seus “amigos” e até mesmo daqueles punks no posto de gasolina.
Agora, a caçada iria começar.
domingo, 20 de dezembro de 2009
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