Os portões do cemitério foram violados, os dois visitantes vestidos de negro tinham um objetivo, e não deixariam que aquele simples obstáculo os impedisse. Mortimer e John estavam agora parados na frente de um tumulo, não qualquer um, mas um escolhido a dedo, era o General W. G. Winter, um brilhante general nazista, que sabia muito de guerras.
Mortimer e John eram os chamados novos nazistas, aqueles que queriam reerguer a Alemanha de Hitler.
Os dois fizeram o sinal da cruz diante do tumulo de seu líder, e um deles murmurou:
- Que Deus tenha piedade de nossa alma.
O outro olhou, com um olhar muito sério. Eles iam fazer uma coisa muito importante, afinal quem não gostaria de aprender com alguém do passado?
Mortimer retirou o livro de debaixo de sua capa e entregou a seu colega:
- Tem certeza de que vai dar certo?
- Só ele sabe. Respondeu John olhando para cima.
Ele abriu o livro, na página marcada. Era uma citação em latim, cercado por vários desenhos, de pentagramas, de velas, e de dois homens, como os que estavam ali, na frente do que parecia ser um espírito.
Enquanto John recitava o cântico em latim, dando voltas na sepultura, Mort desenhava o pentagrama com um giz branco. Depois, ele tirou duas velas roxas do bolso interno de sua capa, e, com um isqueiro de bolso, acendeu-as.
Entregou uma para seu amigo e ficou com uma para si, e se juntou na marcha ao redor daquele tumulo. Eram duas voltas, depois três, depois dez, e as horas passavam. Na ultima volta, John subiu na cova e derramou um pouco de cera no centro do pentagrama, colocando sua vela em seguida.
Depois, estendeu sua mão e o colega entendeu prontamente, lhe entregando uma faca de prata, preciosa, daquelas que nunca foram usadas. Ele puxou suas mangas e cortou seu antebraço, deixando que seu sangue pagasse a vela.
O problema é que eles não entendiam que o universo tinha suas leis, e se um ser voltava à vida, outro devia morrer, essa é a lei natural. Lei que deveria ser respeitada. O que saiu daquela cova não foi uma alma, mas sim um corpo, deformado pela ação dos tempos, com vermes saindo de sua boca, olhos e ouvidos, um pouco do cérebro escorrendo e vestido com um terno de soldado alemão.
John tentou fugir, mas uma mão esquelética agarrava sua perna. Era incrivelmente forte, o fazendo cair para frente enquanto tentava correr. Aos poucos, aquele ser puxava o homem para o buraco, onde era uma sepultura.
O grito foi abafado pela noite, deixando Mort ali, sozinho. Não se sabe ao certo se o medo o congelou ou se alguma coisa havia impedido ele de continuar, mas tudo que ele conseguia fazer era ficar ali, ouvindo os gritos de seu amigo.
Um tempo depois, os gritos cessaram, e de novo, o morto subiu a superfície, mas desta vez, com alguém mais. Com a capa suja de terra, o terno rasgado em várias partes, faltando vários dentes, sem um olho, e faltando partes do couro cabeludo, subiu John, com um olhar desumano.
Aquela visão pareceu que tirou ele do transe que estava, o fazendo correr de volta para o portão do cemitério, que estava trancado. Ele tentou pular, mas John parecia muito mais forte do que em vida, o puxando de volta.
Os dois dilaceraram a carne do pobre homem, que gritou o tempo todo. Ele só perdeu a consciência depois de alguns minutos, quando aquelas duas horrendas criaturas começaram a arrancar pedaços de seu cérebro.
Perto do nascer do sol, os dois carregaram Mort de volta para sepultura, que se fechou novamente, como por mágica, depois que eles entraram. Do lado de fora, havia apenas velas, um pedaço de giz e um pouco de sangue, o suficiente para que lendas começassem a surgir.
* * *
Bianca, André, Luis e Julia desceram do carro, em um cemitério qualquer na Alemanha:
- Com tanto lugar legal para visitar vocês quiseram vir em um cemitério? Reclamou Julia.
Os três olharam para ela, que estava visivelmente assustada:
- Foi esse cemitério que algumas pessoas que o visitavam morreram, seria legal visitar, ver se encontramos alguma coisa. Falou André rindo.
Os três pularam o portão e Julia, meio contrariada, os seguiu.
- Que droga, não consigo ver nada aqui! Reclamou Luis
- Eu tenho uma vela, espere um pouco. Falou Bianca pegando uma vela vermelha de dentro de sua bolsa.
- Por que uma vela e não uma lanterna?
- Achei que seria divertido, mais emocionante.
Luis pegou a vela e acendeu com um fósforo e colocou em cima de um tumulo qualquer, riscado de giz.
De repente, uma tempestade surgiu, alguns raios caíram e, finalmente, o tumulo se abriu.
E esse foi o fim.


Nenhum comentário:
Postar um comentário