sábado, 16 de janeiro de 2010

O Não Descobrimento do Brasil

Meu excelentíssimo Rei Manuel, venho por meio deste documento, relatar-te os acontecimentos que ocorreram após a chegada de nossas frotas na chamada ilha de Vera cruz.
Acontecimento estes, que eu não acreditaria se não visse pelos meus próprios olhos. Como o senhor bem sabe, fomos até lá para tomar posse daquelas terras, que nos foram destinadas no acordo, mas não contávamos com a presença de nativos.
Logo que chegamos, notamos que o povo estava atrasado em relação a nós, e de forma muito vergonhosa, andava seminu pelas praias belas daquela região.
Esperávamos encontrar um povo hospitaleiro, mas não foi isso que aconteceu, eles pareciam saber de algo que nós nem imaginávamos, e nós atacaram assim que saímos do barco.
Dois marujos desceram dos barcos, e foram atacados por uma saraivada de flechas sem tamanho, tanto que eles nem puderam sacar suas armas para uma batalha justa.
O resto da tripulação tentou se esconder no barco e os outros navios logo tentaram se afastar quando viram a confusão.
Tentaram é bem a palavra, pois uma enorme criatura se ergueu dos mares. Era um enorme monstro, com muitos tentáculos, cabeça grande e redonda, coberta por algas, animais marinhos e pedaços de outras frotas.
Ao comando dos nativos, aquele imenso habitante do mar atingiu a frota com seus tentáculos, deixando apenas o nosso navio, que estava mais perto da costa, inteiro.
Isso seria um consolo para nós se criaturas aladas, parecidas com os santos anjos do nosso Senhor não tivessem surgido. Elas tinham garras e dentes afiados, usavam roupas tribais e lanças pontiagudas, começaram a voar ao redor de nosso navio, atirando suas armas e tentando destruir nossa proteção.
Em pouco menos de algumas horas, eles derrubaram nossas velas, nos impedindo de fugir assim que o vento retornasse. Depois disso, eles passaram a se concentrar no lugar que nós estávamos protegidos, junto com os serventes.
Como você sabe, nosso nobre capitão, Pedro Alvarez, sempre foi esquentado, e por isso decidiu pegar a espada, e sair do barco. Um erro cruel.
Devo admitir que ele foi muito bravo, derrubou dois daqueles seres alados antes de investir contra um nativo gordo que usava uma coroa de penas, que parecia estar controlando tudo.
O nativo não se assustou, tampouco saiu do caminho, mas alguma coisa parou-o na queda. Meus olhos se arregalaram quando vi Pedro levitando em pleno ar, aquilo só podia ser obra do demônio!
O índio tirou a espada da cintura do comandante e sem hesitar, cravou no coração, logo depois disso, o corpo caiu inerte no chão.
Depois disso, os marinheiros viraram as velas, tentando ir para longe daquela praia, mas o céu se tornou negro e ondas enormes surgiram.
Aqueles malditos deuses pagãos dos nativos pareciam querer atacar, e não nos deixavam voltar para nossas terras.
Eu e Luis conseguimos sair do barco antes que eles fossem destruídos, e conseguimos nadar até encontrar um barco a remo, que não havia sido destruído com as ondas.
Remamos até não vermos mais aquele lugar, e neste momento, não vemos mais nada além de água.
Como eu disse, escrevo esta carta para relatar ao senhor o que aconteceu naquele lugar, mas se por um acaso deus não permitir que ela chegue até vós, deixo-a como um aviso para os outros marujos de nosso continente.
Nunca vão para o Oeste.

Nenhum comentário:

Postar um comentário