Em um bairro no subúrbio da cidade, há um prédio e neste prédio, há muito tempo atrás, um grupo de crianças morreu de formas brutais e assustadoras. Ninguém sabe, por exemplo, como um garoto de cinco anos conseguiu se afogar na pia de um velho banheiro, de onde nem saia água.
Todo ano, na mesma data, dez de Janeiro, os jornais faziam noticias em homenagem as crianças, os cemitérios ficavam cheios de gente e é claro, sempre havia um grupo de jovens irresponsáveis que resolviam investigar o local.
Naquela noite, em obviamente, um dez de Janeiro, quatro garotos estavam na frente do prédio, haviam pulado o muro que a policia havia feito para parar irresponsáveis como eles, e agora estavam tentando abrir a porta que levava ao estacionamento.
Bill Waters, um garoto baixinho e gordinho estava com dois alfinetes, tentando forçar a fechadura da porta.
- Tem certeza que vai dar certo Bill? Falou Meg, que estava logo atrás dele.
- Claro, eu vi na internet e funcionou. Resmungou ele.
Logo depois desse pequeno diálogo, houve um estalido, e a porta se abriu, dando para o estacionamento.
- Não seria melhor ter estourado o cadeado da entrada de carros? Falou ela.
Entrando junto com ela e com Bill, estavam mais dois garotos, irmãos, que estavam ali pela curiosidade de ver como era o local e pela pequena paixonite que tinham pela Meg.
- Realmente, já é quase meia noite, se você tivesse arrebentado o cadeado já estaríamos aqui dentro faz tempo. Falou um deles, que talvez se chamasse Ralph.
O gordinho lançou um olhar fulminante para ele:
- Continue falando assim e eu mesmo vou garantir que você não saia daqui.
O Silencio imperou no ar, enquanto eles subiam as escadas, na direção do primeiro andar de apartamentos.
- Em qual temos que entrar? Perguntou ele para a garota.
- No 114.
- Por que nesse apartamento? Perguntou o outro irmão, que estava visivelmente com medo.
- Por que nele ocorreram mais mortes. Meg estava com medo também, mas não deixava isso aparecer.
- E olha que coincidência, foram 114. Bill falou, se divertindo com a cara de perplexidade dos outros.
Eles abriram a porta, e o que encontraram não foi nada de extraordinário, apenas um apartamento vazio.
- É só isso? O Ralph e John estavam visivelmente decepcionados.
- O que vocês esperavam? o inferno na terra?
Eles ficaram contemplando o apartamento vazio, enquanto John seguia para um dos cômodos.
- Vai fazer o que? Perguntou a garota.
- Cansei desta chatice, vou ao banheiro.
Ele abriu uma porta qualquer, e o que viu definitivamente não foi um banheiro.
Era um salão, muito maior que um ginásio. A sua frente havia uma piscina, uma piscina tão grande que não dava para ver seu final, nem sua profundidade.
“Que porra é essa?” Pensou, enquanto tentava olhar onde ficavam as laterais do lugar, mas em vão.
Ele foi até a frente e olhou para baixo, impressionou - se com a claridade da água, e sentiu uma vontade imensa de se jogar, e foi o que ele fez.
De roupa e tudo ele começou a nadar, mergulhar, fazer de tudo na água, até que decidiu que iria ir até o fundo da piscina.
Ele pegou impulso e desceu, procurando ir até o fundo. Nadou por mais ou menos um minuto, antes da queimação em seus pulmões começar. Estava ficando insuportável, o suficiente para impedi-lo de continuar.
Não conseguia mais se concentrar, muito menos subir de novo, e viu que estava muito longe da superfície, mas longe do que tinha percebido. Começou a se debater demais, com a água começando a entrar em sua boca, e então, seus pulmões não agüentaram e ele inspirou.
Depois de um tempo, o corpo inerte boiou até a superfície, e tudo desapareceu.
Ralph saiu do lado de Bill e decidiu ir para um dos outros cômodos, possivelmente um quarto:
- Onde você pensa que vai? Perguntou Meg, que estava perto da janela.
Ele olhou-a e falou:
- Vou ver o resto desse apartamento até meu irmão sair do banheiro.
Foi então em direção ao quarto, ela fez menção de tentar impedir.
- Espera... Começou.
- Deixa... Falou Bill... Eu vou rir muito quando ele se ferrar.
Mesmo com a ameaça do amigo, ele não se intimidou e foi até o quarto, onde não havia nada muito interessante, apenas uma cômoda.
Como se uma força o empurra-se, ele se sentiu muito tentado a abrir a gaveta da cômoda, e assim o fez.
Dentro dela, havia uma arma, e sem nem pensar, a pegou. Por algum motivo inexplicável, ele sentiu vontade de colocar a arma na boca e puxar o gatilho.
“Provavelmente está sem balas” pensou ele. Bem, ela não estava.
Com o estouro, Meg e Bill se olharam.
- Eu vou ver o que está acontecendo no quarto, vá ao banheiro, e veja por que John ainda não voltou!
Os dois saíram para lados diferentes, tentando entrar nos cômodos em que os irmãos haviam se metido.
Com muito esforço, Bill conseguiu entrar no banheiro, onde um dos irmãos havia se metido. O encontrou no boxe, estirado no chão, de olhos abertos e sem respirar. Não precisou nem checar, sabia que estava morto.
No cômodo ao lado, Meg viu o garoto com a arma ainda quente na mão, e a cabeça perfurada por uma bala.
Ela foi lentamente até o corpo, e, por um impulso pegou a arma. Olhou-a por um tempo e depois se fixou na figura que estava a sua frente.
Era um fantasma com certeza, fitava a garota com um olhar vazio, e com uma voz totalmente diferente da original falou:
- Você sabe quem fez isso comigo não sabe?
Ela parecia hipnotizada.
- Sim...
- Então, vá lá e retribua o favor.
Com a arma em punho, Meg foi até a sala, onde Bill a estava esperando, com o cadáver de John no chão.
- O que você vai fazer com isso Meg? Perguntou ele, visivelmente em pânico.
Ela ergueu a arma na altura dos olhos e atirou, e a bala por milímetros não acertou Bill, que se jogou no chão.
- Que porra é essa?
Ela ergueu a arma novamente, na altura dos olhos de Bill, que havia acabado de se ajoelhar.
Por pouco ele conseguiu se esquivar, e o tiro raspou em seu braço. Não entendia o que estava acontecendo, mas sabia que tinha que sair dali.
Tentou abrir a porta, mas estava trancada. Amaldiçoou por um segundo antes de olhar a janela, onde havia apenas um vidro. “A queda deve ser curta” pensou ele.
Preparou-se um segundo então, empurrou Meg, que estava com um olhar vazio, e se jogou contra a janela. Bateu com força no vidro e caiu de volta no chão acarpetado do apartamento.
A cabeça dele sangrava, e a ultima coisa que viu foi sua amiga com a arma apontada para sua testa, e esse foi seu fim.
No dia seguinte, os policiais apareceram e encontraram três corpos de garotos, mais uma menina, que estava viva, mas em estado catatônico.
Sabe–se que um morreu afogado e dois levaram tiros na cabeça, mas não se sabe explicar onde os garotos conseguiram a arma nem como havia água em um lugar em que já não havia mais encanamento.
Depois desse incidente, eles finalmente decidiram demolir o prédio, mas dias depois, no lugar dos escombros havia um novo edifício, mais moderno que o anterior.
Mas isso, já é outra história.
domingo, 7 de fevereiro de 2010
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Legal, achei bem interessante.
ResponderExcluirme desculpe a invasão, mas gosto de procurar por blogs interessantes assim.
Sucesso!
se tiver um tmpo da uma passada no meu, espero q goste.
http://kimuratorredevidro.blogspot.com/