Em um bairro no subúrbio da cidade, há um prédio e neste prédio, há muito tempo atrás, um grupo de crianças morreu de formas brutais e assustadoras. Ninguém sabe, por exemplo, como um garoto de cinco anos conseguiu se afogar na pia de um velho banheiro, de onde nem saia água.
Todo ano, na mesma data, dez de Janeiro, os jornais faziam noticias em homenagem as crianças, os cemitérios ficavam cheios de gente e é claro, sempre havia um grupo de jovens irresponsáveis que resolviam investigar o local.
Naquela noite, em obviamente, um dez de Janeiro, quatro garotos estavam na frente do prédio, haviam pulado o muro que a policia havia feito para parar irresponsáveis como eles, e agora estavam tentando abrir a porta que levava ao estacionamento.
Bill Waters, um garoto baixinho e gordinho estava com dois alfinetes, tentando forçar a fechadura da porta.
- Tem certeza que vai dar certo Bill? Falou Meg, que estava logo atrás dele.
- Claro, eu vi na internet e funcionou. Resmungou ele.
Logo depois desse pequeno diálogo, houve um estalido, e a porta se abriu, dando para o estacionamento.
- Não seria melhor ter estourado o cadeado da entrada de carros? Falou ela.
Entrando junto com ela e com Bill, estavam mais dois garotos, irmãos, que estavam ali pela curiosidade de ver como era o local e pela pequena paixonite que tinham pela Meg.
- Realmente, já é quase meia noite, se você tivesse arrebentado o cadeado já estaríamos aqui dentro faz tempo. Falou um deles, que talvez se chamasse Ralph.
O gordinho lançou um olhar fulminante para ele:
- Continue falando assim e eu mesmo vou garantir que você não saia daqui.
O Silencio imperou no ar, enquanto eles subiam as escadas, na direção do primeiro andar de apartamentos.
- Em qual temos que entrar? Perguntou ele para a garota.
- No 114.
- Por que nesse apartamento? Perguntou o outro irmão, que estava visivelmente com medo.
- Por que nele ocorreram mais mortes. Meg estava com medo também, mas não deixava isso aparecer.
- E olha que coincidência, foram 114. Bill falou, se divertindo com a cara de perplexidade dos outros.
Eles abriram a porta, e o que encontraram não foi nada de extraordinário, apenas um apartamento vazio.
- É só isso? O Ralph e John estavam visivelmente decepcionados.
- O que vocês esperavam? o inferno na terra?
Eles ficaram contemplando o apartamento vazio, enquanto John seguia para um dos cômodos.
- Vai fazer o que? Perguntou a garota.
- Cansei desta chatice, vou ao banheiro.
Ele abriu uma porta qualquer, e o que viu definitivamente não foi um banheiro.
Era um salão, muito maior que um ginásio. A sua frente havia uma piscina, uma piscina tão grande que não dava para ver seu final, nem sua profundidade.
“Que porra é essa?” Pensou, enquanto tentava olhar onde ficavam as laterais do lugar, mas em vão.
Ele foi até a frente e olhou para baixo, impressionou - se com a claridade da água, e sentiu uma vontade imensa de se jogar, e foi o que ele fez.
De roupa e tudo ele começou a nadar, mergulhar, fazer de tudo na água, até que decidiu que iria ir até o fundo da piscina.
Ele pegou impulso e desceu, procurando ir até o fundo. Nadou por mais ou menos um minuto, antes da queimação em seus pulmões começar. Estava ficando insuportável, o suficiente para impedi-lo de continuar.
Não conseguia mais se concentrar, muito menos subir de novo, e viu que estava muito longe da superfície, mas longe do que tinha percebido. Começou a se debater demais, com a água começando a entrar em sua boca, e então, seus pulmões não agüentaram e ele inspirou.
Depois de um tempo, o corpo inerte boiou até a superfície, e tudo desapareceu.
Ralph saiu do lado de Bill e decidiu ir para um dos outros cômodos, possivelmente um quarto:
- Onde você pensa que vai? Perguntou Meg, que estava perto da janela.
Ele olhou-a e falou:
- Vou ver o resto desse apartamento até meu irmão sair do banheiro.
Foi então em direção ao quarto, ela fez menção de tentar impedir.
- Espera... Começou.
- Deixa... Falou Bill... Eu vou rir muito quando ele se ferrar.
Mesmo com a ameaça do amigo, ele não se intimidou e foi até o quarto, onde não havia nada muito interessante, apenas uma cômoda.
Como se uma força o empurra-se, ele se sentiu muito tentado a abrir a gaveta da cômoda, e assim o fez.
Dentro dela, havia uma arma, e sem nem pensar, a pegou. Por algum motivo inexplicável, ele sentiu vontade de colocar a arma na boca e puxar o gatilho.
“Provavelmente está sem balas” pensou ele. Bem, ela não estava.
Com o estouro, Meg e Bill se olharam.
- Eu vou ver o que está acontecendo no quarto, vá ao banheiro, e veja por que John ainda não voltou!
Os dois saíram para lados diferentes, tentando entrar nos cômodos em que os irmãos haviam se metido.
Com muito esforço, Bill conseguiu entrar no banheiro, onde um dos irmãos havia se metido. O encontrou no boxe, estirado no chão, de olhos abertos e sem respirar. Não precisou nem checar, sabia que estava morto.
No cômodo ao lado, Meg viu o garoto com a arma ainda quente na mão, e a cabeça perfurada por uma bala.
Ela foi lentamente até o corpo, e, por um impulso pegou a arma. Olhou-a por um tempo e depois se fixou na figura que estava a sua frente.
Era um fantasma com certeza, fitava a garota com um olhar vazio, e com uma voz totalmente diferente da original falou:
- Você sabe quem fez isso comigo não sabe?
Ela parecia hipnotizada.
- Sim...
- Então, vá lá e retribua o favor.
Com a arma em punho, Meg foi até a sala, onde Bill a estava esperando, com o cadáver de John no chão.
- O que você vai fazer com isso Meg? Perguntou ele, visivelmente em pânico.
Ela ergueu a arma na altura dos olhos e atirou, e a bala por milímetros não acertou Bill, que se jogou no chão.
- Que porra é essa?
Ela ergueu a arma novamente, na altura dos olhos de Bill, que havia acabado de se ajoelhar.
Por pouco ele conseguiu se esquivar, e o tiro raspou em seu braço. Não entendia o que estava acontecendo, mas sabia que tinha que sair dali.
Tentou abrir a porta, mas estava trancada. Amaldiçoou por um segundo antes de olhar a janela, onde havia apenas um vidro. “A queda deve ser curta” pensou ele.
Preparou-se um segundo então, empurrou Meg, que estava com um olhar vazio, e se jogou contra a janela. Bateu com força no vidro e caiu de volta no chão acarpetado do apartamento.
A cabeça dele sangrava, e a ultima coisa que viu foi sua amiga com a arma apontada para sua testa, e esse foi seu fim.
No dia seguinte, os policiais apareceram e encontraram três corpos de garotos, mais uma menina, que estava viva, mas em estado catatônico.
Sabe–se que um morreu afogado e dois levaram tiros na cabeça, mas não se sabe explicar onde os garotos conseguiram a arma nem como havia água em um lugar em que já não havia mais encanamento.
Depois desse incidente, eles finalmente decidiram demolir o prédio, mas dias depois, no lugar dos escombros havia um novo edifício, mais moderno que o anterior.
Mas isso, já é outra história.
domingo, 7 de fevereiro de 2010
sábado, 16 de janeiro de 2010
O Não Descobrimento do Brasil
Meu excelentíssimo Rei Manuel, venho por meio deste documento, relatar-te os acontecimentos que ocorreram após a chegada de nossas frotas na chamada ilha de Vera cruz.
Acontecimento estes, que eu não acreditaria se não visse pelos meus próprios olhos. Como o senhor bem sabe, fomos até lá para tomar posse daquelas terras, que nos foram destinadas no acordo, mas não contávamos com a presença de nativos.
Logo que chegamos, notamos que o povo estava atrasado em relação a nós, e de forma muito vergonhosa, andava seminu pelas praias belas daquela região.
Esperávamos encontrar um povo hospitaleiro, mas não foi isso que aconteceu, eles pareciam saber de algo que nós nem imaginávamos, e nós atacaram assim que saímos do barco.
Dois marujos desceram dos barcos, e foram atacados por uma saraivada de flechas sem tamanho, tanto que eles nem puderam sacar suas armas para uma batalha justa.
O resto da tripulação tentou se esconder no barco e os outros navios logo tentaram se afastar quando viram a confusão.
Tentaram é bem a palavra, pois uma enorme criatura se ergueu dos mares. Era um enorme monstro, com muitos tentáculos, cabeça grande e redonda, coberta por algas, animais marinhos e pedaços de outras frotas.
Ao comando dos nativos, aquele imenso habitante do mar atingiu a frota com seus tentáculos, deixando apenas o nosso navio, que estava mais perto da costa, inteiro.
Isso seria um consolo para nós se criaturas aladas, parecidas com os santos anjos do nosso Senhor não tivessem surgido. Elas tinham garras e dentes afiados, usavam roupas tribais e lanças pontiagudas, começaram a voar ao redor de nosso navio, atirando suas armas e tentando destruir nossa proteção.
Em pouco menos de algumas horas, eles derrubaram nossas velas, nos impedindo de fugir assim que o vento retornasse. Depois disso, eles passaram a se concentrar no lugar que nós estávamos protegidos, junto com os serventes.
Como você sabe, nosso nobre capitão, Pedro Alvarez, sempre foi esquentado, e por isso decidiu pegar a espada, e sair do barco. Um erro cruel.
Devo admitir que ele foi muito bravo, derrubou dois daqueles seres alados antes de investir contra um nativo gordo que usava uma coroa de penas, que parecia estar controlando tudo.
O nativo não se assustou, tampouco saiu do caminho, mas alguma coisa parou-o na queda. Meus olhos se arregalaram quando vi Pedro levitando em pleno ar, aquilo só podia ser obra do demônio!
O índio tirou a espada da cintura do comandante e sem hesitar, cravou no coração, logo depois disso, o corpo caiu inerte no chão.
Depois disso, os marinheiros viraram as velas, tentando ir para longe daquela praia, mas o céu se tornou negro e ondas enormes surgiram.
Aqueles malditos deuses pagãos dos nativos pareciam querer atacar, e não nos deixavam voltar para nossas terras.
Eu e Luis conseguimos sair do barco antes que eles fossem destruídos, e conseguimos nadar até encontrar um barco a remo, que não havia sido destruído com as ondas.
Remamos até não vermos mais aquele lugar, e neste momento, não vemos mais nada além de água.
Como eu disse, escrevo esta carta para relatar ao senhor o que aconteceu naquele lugar, mas se por um acaso deus não permitir que ela chegue até vós, deixo-a como um aviso para os outros marujos de nosso continente.
Nunca vão para o Oeste.
Acontecimento estes, que eu não acreditaria se não visse pelos meus próprios olhos. Como o senhor bem sabe, fomos até lá para tomar posse daquelas terras, que nos foram destinadas no acordo, mas não contávamos com a presença de nativos.
Logo que chegamos, notamos que o povo estava atrasado em relação a nós, e de forma muito vergonhosa, andava seminu pelas praias belas daquela região.
Esperávamos encontrar um povo hospitaleiro, mas não foi isso que aconteceu, eles pareciam saber de algo que nós nem imaginávamos, e nós atacaram assim que saímos do barco.
Dois marujos desceram dos barcos, e foram atacados por uma saraivada de flechas sem tamanho, tanto que eles nem puderam sacar suas armas para uma batalha justa.
O resto da tripulação tentou se esconder no barco e os outros navios logo tentaram se afastar quando viram a confusão.
Tentaram é bem a palavra, pois uma enorme criatura se ergueu dos mares. Era um enorme monstro, com muitos tentáculos, cabeça grande e redonda, coberta por algas, animais marinhos e pedaços de outras frotas.
Ao comando dos nativos, aquele imenso habitante do mar atingiu a frota com seus tentáculos, deixando apenas o nosso navio, que estava mais perto da costa, inteiro.
Isso seria um consolo para nós se criaturas aladas, parecidas com os santos anjos do nosso Senhor não tivessem surgido. Elas tinham garras e dentes afiados, usavam roupas tribais e lanças pontiagudas, começaram a voar ao redor de nosso navio, atirando suas armas e tentando destruir nossa proteção.
Em pouco menos de algumas horas, eles derrubaram nossas velas, nos impedindo de fugir assim que o vento retornasse. Depois disso, eles passaram a se concentrar no lugar que nós estávamos protegidos, junto com os serventes.
Como você sabe, nosso nobre capitão, Pedro Alvarez, sempre foi esquentado, e por isso decidiu pegar a espada, e sair do barco. Um erro cruel.
Devo admitir que ele foi muito bravo, derrubou dois daqueles seres alados antes de investir contra um nativo gordo que usava uma coroa de penas, que parecia estar controlando tudo.
O nativo não se assustou, tampouco saiu do caminho, mas alguma coisa parou-o na queda. Meus olhos se arregalaram quando vi Pedro levitando em pleno ar, aquilo só podia ser obra do demônio!
O índio tirou a espada da cintura do comandante e sem hesitar, cravou no coração, logo depois disso, o corpo caiu inerte no chão.
Depois disso, os marinheiros viraram as velas, tentando ir para longe daquela praia, mas o céu se tornou negro e ondas enormes surgiram.
Aqueles malditos deuses pagãos dos nativos pareciam querer atacar, e não nos deixavam voltar para nossas terras.
Eu e Luis conseguimos sair do barco antes que eles fossem destruídos, e conseguimos nadar até encontrar um barco a remo, que não havia sido destruído com as ondas.
Remamos até não vermos mais aquele lugar, e neste momento, não vemos mais nada além de água.
Como eu disse, escrevo esta carta para relatar ao senhor o que aconteceu naquele lugar, mas se por um acaso deus não permitir que ela chegue até vós, deixo-a como um aviso para os outros marujos de nosso continente.
Nunca vão para o Oeste.
domingo, 20 de dezembro de 2009
Oportunidades
Para Daniel, a vida estava realmente uma droga. Naquela manhã, ele havia acordado, planejando sair para trabalhar e, como todos os outros dias, ser humilhado por seu chefe e por seus colegas, que o consideravam um idiota imprestável.
Todo santo dia, ele chegava ao trabalho e encontrava sua cadeira quebrada, ou seus papéis desorganizados, seus arquivos importantes apagados do computador e nos piores dias, sua mesa completamente vazia.
Hoje, começou diferente, assim que chegou ao serviço, um colega de trabalho seu chamado João (o que era mais parecido com um amigo que Daniel já tivera, o que não queria dizer muita coisa.) o chamou:
- ô Daniel, o chefe está chamando você no escritório dele, e rápido.
Quando ele virou as costas, indo em direção a sala de Romeu, seu chefe, ouviu seu “amigo” falar por suas costas.
- Esse não volta mais.
Ele abriu a porta, com o nome de seu chefe em dourado, e entrou, a sala destoava completamente do resto da empresa, era um lugar feito por um homem que gostava de aproveitar todo seu dinheiro.
- Daniel, sente-se, por favor. Falou ele, apontando para a cadeira estofada.
- Sim senhor.
- Bem Daniel, você sabe que está faltando pessoal na empresa, por isso, você não terá férias esse ano, me desculpe.
Ele se levantou em um pulo, com a cadeira indo alguns metros para trás e batendo na parede.
- Como assim? Faz cinco anos que eu não tiro férias, esse ano eu tenho o direito.
- Você destruiu propriedade privada dezenas de vezes, roubou seus colegas e colocou seu nome no serviço deles, você tem muita sorte de eu não ter te demitido assim que entrou.
Subitamente, ele se lembrou de onde estava, não em sua casa ou em qualquer lugar conhecido, mas em uma empresa, onde ninguém gostava dele.
- Sim senhor, obrigado pela oportunidade de ficar na empresa, estarei no trabalho amanha de manha bem cedo senhor.
- É assim que se fala.
Mais tarde ele saiu da empresa, foi de carro até a casa de sua namorada, que disse que queria falar com ele imediatamente.
Chegando na casa dela, viu que estava sorridente, mais que o normal.
- Oi amor, eu finalmente escolhi para onde iremos viajar nas férias!
- Desculpe meu amor, mas meu chefe tirou minhas férias desse ano, mas poderemos ficar juntos mesmo assim.
O sorriso dela se fechou, e no lugar surgiu um olhar de desprezo.
- Eu sabia que você era assim, você agüenta tudo calado, aposto que você nem discutiu com seu chefe não é?
Daniel ficou calado.
Ela voltou para dentro de sua casa, e disse:
- Volte a falar comigo quando virar homem.
E então a porta a sua frente se fechou, e com ela, a única coisa que realmente importava na vida de Daniel.
Ele ligou lentamente o carro, depois de horas, tentando fazer com que Julia abrisse a porta. O motor começou a pegar, e o carro foi andando até o fim da rua. Por mais que Daniel acelerasse, o carro se recusava a ir a mais de 20km por hora, o que era angustiante.
Ele tentou ir assim até sua casa, no outro lado da cidade, mas em um determinado momento do circuito, o carro morreu.
Tremendo de raiva, ele foi até a frente do carro e abriu o capô, e a fumaça que saiu dele foi tão densa que escorreram lágrimas dos olhos dele.
- Merda de carro, nunca funciona quando agente precisa!
Ele começou a empurrar o carro, esperando encontrar um posto de gasolina perto, o problema, é que o posto mais perto estava a mais de dois quilômetros dali.
O posto de gasolina era grande e tinha um aspecto sujo, Daniel pode percebê-lo a distancia, pois havia um letreiro luminoso, que falhava de cinco em cinco minutos.
Chegando lá, foi recebido por um grupo de punks, que não ficaram felizes com a sua presença.
Estava calmamente colocando gasolina em seu carro quando um sentiu uma presença atrás de si.
- Cara, passa todo teu dinheiro se não quer morrer.
Ele sentiu o cano da arma em sua costela, e tudo que pode fazer foi pegar a sua carteira no bolso e largá-la no chão.
- Obrigado. Falou o punk rindo.
O estampido, a dor, a escuridão.
Ele acordou alguns dias depois no lixão perto do posto, não sabia como tinha resistido a tanta perda de sangue, e naquela hora, não importava.
Arrastou-se até o posto, e sentia sua carne na barriga, mas estranhamente, não doía. Havia um carro parado na frente dele, e Daniel não perdeu tempo. Quebrou o vidro com o cotovelo e abriu a porta.
Para sua sorte (ou quase), a chave estava dentro do carro, ele achou aquilo muito estranho, mas decidiu ignorar, dando a partida.
O carro se locomovia lentamente, mas para Daniel, não importava, tudo que ele queria era chegar em sua casa.
Desceu do carro e subiu as escadas até seu apartamento no quarto andar, e não precisou nem abrir a porta, pois estava apenas encostada.
Dentro dele, havia uma decoração natalina, diferente tudo que ele já vira, era incrivelmente bonita.
Embaixo do pinheiro, havia uma caixa, apenas um único presente, e surpreendentemente, era endereçado a ele, com uma pequena mensagem.
“De um amigo, espero que possa te ajudar.”
Dentro da caixa, havia uma arma.
Subitamente, ele se lembrou de seu chefe, de sua namorada, de seus “amigos” e até mesmo daqueles punks no posto de gasolina.
Agora, a caçada iria começar.
Todo santo dia, ele chegava ao trabalho e encontrava sua cadeira quebrada, ou seus papéis desorganizados, seus arquivos importantes apagados do computador e nos piores dias, sua mesa completamente vazia.
Hoje, começou diferente, assim que chegou ao serviço, um colega de trabalho seu chamado João (o que era mais parecido com um amigo que Daniel já tivera, o que não queria dizer muita coisa.) o chamou:
- ô Daniel, o chefe está chamando você no escritório dele, e rápido.
Quando ele virou as costas, indo em direção a sala de Romeu, seu chefe, ouviu seu “amigo” falar por suas costas.
- Esse não volta mais.
Ele abriu a porta, com o nome de seu chefe em dourado, e entrou, a sala destoava completamente do resto da empresa, era um lugar feito por um homem que gostava de aproveitar todo seu dinheiro.
- Daniel, sente-se, por favor. Falou ele, apontando para a cadeira estofada.
- Sim senhor.
- Bem Daniel, você sabe que está faltando pessoal na empresa, por isso, você não terá férias esse ano, me desculpe.
Ele se levantou em um pulo, com a cadeira indo alguns metros para trás e batendo na parede.
- Como assim? Faz cinco anos que eu não tiro férias, esse ano eu tenho o direito.
- Você destruiu propriedade privada dezenas de vezes, roubou seus colegas e colocou seu nome no serviço deles, você tem muita sorte de eu não ter te demitido assim que entrou.
Subitamente, ele se lembrou de onde estava, não em sua casa ou em qualquer lugar conhecido, mas em uma empresa, onde ninguém gostava dele.
- Sim senhor, obrigado pela oportunidade de ficar na empresa, estarei no trabalho amanha de manha bem cedo senhor.
- É assim que se fala.
Mais tarde ele saiu da empresa, foi de carro até a casa de sua namorada, que disse que queria falar com ele imediatamente.
Chegando na casa dela, viu que estava sorridente, mais que o normal.
- Oi amor, eu finalmente escolhi para onde iremos viajar nas férias!
- Desculpe meu amor, mas meu chefe tirou minhas férias desse ano, mas poderemos ficar juntos mesmo assim.
O sorriso dela se fechou, e no lugar surgiu um olhar de desprezo.
- Eu sabia que você era assim, você agüenta tudo calado, aposto que você nem discutiu com seu chefe não é?
Daniel ficou calado.
Ela voltou para dentro de sua casa, e disse:
- Volte a falar comigo quando virar homem.
E então a porta a sua frente se fechou, e com ela, a única coisa que realmente importava na vida de Daniel.
Ele ligou lentamente o carro, depois de horas, tentando fazer com que Julia abrisse a porta. O motor começou a pegar, e o carro foi andando até o fim da rua. Por mais que Daniel acelerasse, o carro se recusava a ir a mais de 20km por hora, o que era angustiante.
Ele tentou ir assim até sua casa, no outro lado da cidade, mas em um determinado momento do circuito, o carro morreu.
Tremendo de raiva, ele foi até a frente do carro e abriu o capô, e a fumaça que saiu dele foi tão densa que escorreram lágrimas dos olhos dele.
- Merda de carro, nunca funciona quando agente precisa!
Ele começou a empurrar o carro, esperando encontrar um posto de gasolina perto, o problema, é que o posto mais perto estava a mais de dois quilômetros dali.
O posto de gasolina era grande e tinha um aspecto sujo, Daniel pode percebê-lo a distancia, pois havia um letreiro luminoso, que falhava de cinco em cinco minutos.
Chegando lá, foi recebido por um grupo de punks, que não ficaram felizes com a sua presença.
Estava calmamente colocando gasolina em seu carro quando um sentiu uma presença atrás de si.
- Cara, passa todo teu dinheiro se não quer morrer.
Ele sentiu o cano da arma em sua costela, e tudo que pode fazer foi pegar a sua carteira no bolso e largá-la no chão.
- Obrigado. Falou o punk rindo.
O estampido, a dor, a escuridão.
Ele acordou alguns dias depois no lixão perto do posto, não sabia como tinha resistido a tanta perda de sangue, e naquela hora, não importava.
Arrastou-se até o posto, e sentia sua carne na barriga, mas estranhamente, não doía. Havia um carro parado na frente dele, e Daniel não perdeu tempo. Quebrou o vidro com o cotovelo e abriu a porta.
Para sua sorte (ou quase), a chave estava dentro do carro, ele achou aquilo muito estranho, mas decidiu ignorar, dando a partida.
O carro se locomovia lentamente, mas para Daniel, não importava, tudo que ele queria era chegar em sua casa.
Desceu do carro e subiu as escadas até seu apartamento no quarto andar, e não precisou nem abrir a porta, pois estava apenas encostada.
Dentro dele, havia uma decoração natalina, diferente tudo que ele já vira, era incrivelmente bonita.
Embaixo do pinheiro, havia uma caixa, apenas um único presente, e surpreendentemente, era endereçado a ele, com uma pequena mensagem.
“De um amigo, espero que possa te ajudar.”
Dentro da caixa, havia uma arma.
Subitamente, ele se lembrou de seu chefe, de sua namorada, de seus “amigos” e até mesmo daqueles punks no posto de gasolina.
Agora, a caçada iria começar.
sábado, 14 de novembro de 2009
Necromancia
Os portões do cemitério foram violados, os dois visitantes vestidos de negro tinham um objetivo, e não deixariam que aquele simples obstáculo os impedisse. Mortimer e John estavam agora parados na frente de um tumulo, não qualquer um, mas um escolhido a dedo, era o General W. G. Winter, um brilhante general nazista, que sabia muito de guerras.
Mortimer e John eram os chamados novos nazistas, aqueles que queriam reerguer a Alemanha de Hitler.
Os dois fizeram o sinal da cruz diante do tumulo de seu líder, e um deles murmurou:
- Que Deus tenha piedade de nossa alma.
O outro olhou, com um olhar muito sério. Eles iam fazer uma coisa muito importante, afinal quem não gostaria de aprender com alguém do passado?
Mortimer retirou o livro de debaixo de sua capa e entregou a seu colega:
- Tem certeza de que vai dar certo?
- Só ele sabe. Respondeu John olhando para cima.
Ele abriu o livro, na página marcada. Era uma citação em latim, cercado por vários desenhos, de pentagramas, de velas, e de dois homens, como os que estavam ali, na frente do que parecia ser um espírito.
Enquanto John recitava o cântico em latim, dando voltas na sepultura, Mort desenhava o pentagrama com um giz branco. Depois, ele tirou duas velas roxas do bolso interno de sua capa, e, com um isqueiro de bolso, acendeu-as.
Entregou uma para seu amigo e ficou com uma para si, e se juntou na marcha ao redor daquele tumulo. Eram duas voltas, depois três, depois dez, e as horas passavam. Na ultima volta, John subiu na cova e derramou um pouco de cera no centro do pentagrama, colocando sua vela em seguida.
Depois, estendeu sua mão e o colega entendeu prontamente, lhe entregando uma faca de prata, preciosa, daquelas que nunca foram usadas. Ele puxou suas mangas e cortou seu antebraço, deixando que seu sangue pagasse a vela.
O problema é que eles não entendiam que o universo tinha suas leis, e se um ser voltava à vida, outro devia morrer, essa é a lei natural. Lei que deveria ser respeitada. O que saiu daquela cova não foi uma alma, mas sim um corpo, deformado pela ação dos tempos, com vermes saindo de sua boca, olhos e ouvidos, um pouco do cérebro escorrendo e vestido com um terno de soldado alemão.
John tentou fugir, mas uma mão esquelética agarrava sua perna. Era incrivelmente forte, o fazendo cair para frente enquanto tentava correr. Aos poucos, aquele ser puxava o homem para o buraco, onde era uma sepultura.
O grito foi abafado pela noite, deixando Mort ali, sozinho. Não se sabe ao certo se o medo o congelou ou se alguma coisa havia impedido ele de continuar, mas tudo que ele conseguia fazer era ficar ali, ouvindo os gritos de seu amigo.
Um tempo depois, os gritos cessaram, e de novo, o morto subiu a superfície, mas desta vez, com alguém mais. Com a capa suja de terra, o terno rasgado em várias partes, faltando vários dentes, sem um olho, e faltando partes do couro cabeludo, subiu John, com um olhar desumano.
Aquela visão pareceu que tirou ele do transe que estava, o fazendo correr de volta para o portão do cemitério, que estava trancado. Ele tentou pular, mas John parecia muito mais forte do que em vida, o puxando de volta.
Os dois dilaceraram a carne do pobre homem, que gritou o tempo todo. Ele só perdeu a consciência depois de alguns minutos, quando aquelas duas horrendas criaturas começaram a arrancar pedaços de seu cérebro.
Perto do nascer do sol, os dois carregaram Mort de volta para sepultura, que se fechou novamente, como por mágica, depois que eles entraram. Do lado de fora, havia apenas velas, um pedaço de giz e um pouco de sangue, o suficiente para que lendas começassem a surgir.
* * *
Bianca, André, Luis e Julia desceram do carro, em um cemitério qualquer na Alemanha:
- Com tanto lugar legal para visitar vocês quiseram vir em um cemitério? Reclamou Julia.
Os três olharam para ela, que estava visivelmente assustada:
- Foi esse cemitério que algumas pessoas que o visitavam morreram, seria legal visitar, ver se encontramos alguma coisa. Falou André rindo.
Os três pularam o portão e Julia, meio contrariada, os seguiu.
- Que droga, não consigo ver nada aqui! Reclamou Luis
- Eu tenho uma vela, espere um pouco. Falou Bianca pegando uma vela vermelha de dentro de sua bolsa.
- Por que uma vela e não uma lanterna?
- Achei que seria divertido, mais emocionante.
Luis pegou a vela e acendeu com um fósforo e colocou em cima de um tumulo qualquer, riscado de giz.
De repente, uma tempestade surgiu, alguns raios caíram e, finalmente, o tumulo se abriu.
E esse foi o fim.
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Devaneios
Depois de se despedir dos colegas, John saiu da escola e pegou o ônibus de volta para casa. Ele havia ganhado uma importante bolsa de estudos, e isso fazia com que ele andasse oito quilômetros até a parada para poder pegar a condução até a escola, que era em outra cidade.
Todo dia era a mesma rotina. Acordava quatro horas da manha e se vestia, arrumava sua cama, esquentava o café e o leite. Ia até o banheiro, pegava as roupas sujas e levava até a máquina de lavar. Depois de tomar o café, escovava os dentes, lavava a louça e saia de casa, para pegar o ônibus às seis horas.
Na escola, sua mente vagava para vários lugares, deixando o corpo, conhecia novos mundos e voltava, apenas para olhar ao redor e perceber que o mundo continuava o mesmo.
Na hora do almoço, ele ficava sozinho no refeitório, comendo um lanche e bebericando seu refrigerante, esperando que o sinal tocasse, e ele voltasse as suas aulas. Os professores não entendiam como um garoto desligado, desleixado e que quase não falava ia tão bem às disciplinas que eles lecionavam.
Depois do ultimo sinal acontecer e todos os alunos serem dispensados, ele voltava para dentro do ônibus, apagado, passando por todos, sem ser visto, ele não vivia, apenas existia.
Colocando seus fones de ouvido, ele se esquecia do mundo, e saia novamente de seu corpo, viajando para uma imensidão de aventuras, até que era despertado por algum colega do ônibus na hora de descer da parada e iniciar seu caminho para casa.
Dia após dia, nada mudava, nenhuma cena mudava naquele filme extremamente entediante em que era a vida dele. Nada mudava, até aquela noite.
Era uma quinta ou uma sexta, não fazia muita diferença na época, e John voltava para casa cansado, um pouco mais que o normal. Talvez fosse por que naquele dia ele se obrigara a prestar atenção nas aulas, renunciando aos seus maravilhosos devaneios.
Na esquina de casa, enquanto ele passava, não percebia que muita coisa tinha mudado, havia mais arvores na rua, prédios haviam virado casas e a noite havia se tornado dia. Mas no auge de sua rotina, ele nem mais pensava enquanto voltava para casa.
Ao chegar ao portão, colocou a mão nos bolsos e murmurou:
- Merda, esqueci minha chave.
Ele foi até o lado do portão e ficou frente a frente do muro, se preparando para pular. Com um pequeno impulso, ficou acima e depois caindo em direção a grama, batendo a cabeça levemente no chão.
O som dos latidos o assustou, e logo três cães o atacaram, de médio porte, não eram tão fortes mas em John, cada mordida doía. Em sua mente gritava para si mesmo “Cachorros? Eu não tenho cachorros!”
Ele olhou para dentro e finalmente percebeu que, o que era para ser o prédio em que morava, era uma velha casa, e o pânico tomou conta. Tentou se livrar dos cães, mas eles o imobilizaram fortemente e pareciam esperar alguma coisa.
Lentamente, um velho senhor saiu da porta dos fundos da casa e em sua mão, havia uma espingarda. Ele, com fraqueza, levantou-a e apontou-a para John:
- Você nunca mais vai invadir minha casa, seu moleque enxerido.
Ele gritou, gritou desesperadamente. Teria ficado nisso por um bom tempo, até que ouviu uma voz conhecida:
- O que aconteceu querido?
Era Alice, sua colega e vizinha.
Ele não entendeu nada, estava novamente na frente de seu apartamento deitado no asfalto, olhando para o céu. Levantando lentamente, ele olhou para colega, uma das poucas amigas que tinha, e respondeu, meio sem palavras:
- Eu tive um espasmo muscular enquanto pulava o muro.
Ela riu um pouco, e logo depois caiu na gargalhada:
- Você é mesmo incorrigível, devia praticar algum esporte.
Ele deu um sorriso meio amarelo e entrou no seu prédio, subindo dois lances de escada até o apartamento. Tudo estava normal novamente.
À noite, ele não conseguiu dormir, pensando em sua visão. Não era bem uma visão, por que ele tinha marcas de dentes em seus braços e sua cabeça doía levemente pela pancada na grama.
Ele tinha a estranha certeza que o lugar em que estava o prédio era o mesmo em que ele estivera antes, a casa. O mais estranho, era que o velho com a espingarda parecia que o conhecia.
A manha veio e ele estava ansioso para sair de casa. Não conseguiu dormir um minuto aquela noite e queria algo diferente para fazer. Sentia que no momento em que teve aquela visão, sua vida mudara completamente.
Depois de levantar, ele se vestiu e foi até a cozinha, pegou a carteira, que estava em cima da geladeira e a mochila, em cima da cadeira. Saiu de seu pequeno apartamento e desceu as escadas, foi até uma cafeteria perto de seu apartamento e decidiu comer bem.
Pediu um café grande e uma porção de pão de queijo, para comer no local. Sentou em uma mesa perto da janela e começou a olhar a paisagem, esperando seu pedido.
- O que faz aqui, não devia estar na escola? Perguntou uma voz conhecida.
Era Alice, sua vizinha e colega, que olhava para ele com uma expressão divertida.
- Um dia a mais, um dia a menos não faz diferença. Falou John rindo.
Ela puxou uma cadeira e sentou na frente dele.
- Você parece diferente... Comentou ela, meio sem jeito.
- Eu mudei o corte de cabelo.
- Viu? Estou falando disso, até ontem você não tinha senso de humor, acho que talvez bem personalidade.
John repentinamente se lembrou da visão, e no que ela mudara na sua vida. Ele ia tocar no assunto, quando soube de uma notícia arrasadora.
- Você soube? O dono do prédio vai ser processado.
Ele ergueu as sobrancelhas:
- O que houve?
- Parece que a alguns anos atrás, na época da construção, várias pessoas foram desalojadas e um pequeno bosque que tinha aqui perto foi derrubado.
Alice falava aquilo com um tom divertido, mas John estava desesperado por dentro, havia casa ali antes do prédio, então aquela visão dele poderia ser verdade. Ele pegou sua mochila e o copo de café e saiu correndo:
- Aonde você vai? Perguntou ela assustada.
- Acabei de me lembrar que tinha uma prova daqui a pouco, vou ter que pegar o ônibus e rezar para chegar antes que acabe a aula.
John odiava ter que mentir para sua amiga, mas ele precisava resolver aquilo o mais rápido possível. Precisava chegar a seu apartamento e...
Não havia mais apartamento, nem mais nada. Apenas escombros.
Ele caminhou mais um pouco e viu que alguns muros estavam intactos, no meio do terreno em que devia estar os prédios. As casas ainda estavam demolidas e as máquinas ainda estavam quentes.
Haviam duas escavadeiras, mas seus ocupantes não estavam ali. John olhou para seu relógio, que marcava 12h15min hora do almoço. Ele passou pelo meio delas e chegou na calçada. Viu um cão que olhava para o lugar que outrora fora sua casa, e viu o velho, o mesmo que tentara atirar nele, chorando loucamente na calçada.
De repente, não mais que de repente, sentiu um impacto fortíssimo, que começara na perna, mas se espalhara pelo corpo quando foi arremessado pela calçada por um carro. Ele estava de volta à realidade. E não estava bem.
Seu corpo todo doía, e ele sentia dificuldade de ficar acordado, ao fundo, ele ouvia as pessoas ao redor vindo, olhando, curiosas. Ouviu também gritando e percebeu que era Alice.
A chuva fina caia sobre seu rosto, desatordoando-o um pouco. Ele sentiu uma mão tocando em seu rosto e lá longe, uma voz falou:
- Vamos John, fique comigo, não durma, a ambulância já está vindo.
Depois, ouviu sirenes se aproximando. A ambulância? Não, policiais, falando com todos, perguntando sobre tudo, mas ninguém olhou para o corpo que jazia no chão.
Todo mundo se dispersou, indo para todas as direções. Um veículo grande e branco chegou, trazendo quatro pessoas nele. Eles pegaram-no e o jogaram na maca, sendo um pouco descuidados. Alice entrou junto no veiculo, e eles se dirigiram ao hospital.
A ambulância sacolejava um pouco, e as sirenes davam dor de cabeça a John, que tentava desesperadamente se manter acordado. Ele queria dormir, mas estava com um medo profundo de não acordar depois disso.
Ele estava de olhos abertos, quando viu um médico que estava perto dele falar:
- Vai ficar tudo bem, apenas descanse.
John, aliviado, fechou os olhos, e quando abriu, já não sentia nenhuma dor, ele nem estava mais na ambulância.
Era um carro grande talvez uma pick-up, na frente, havia um motorista chorando, ao seu lado uma garrafa de whisky quase vazia e vários papéis. Foi para o banco da frente, ao lado do motorista. Sentiu o cheiro de bebida em suas roupas e percebeu que pouco se preocupava com o transito em sua frente.
O motorista dobrou a rua, foi então que John viu. Ele viu a si próprio, andando em direção a seu próprio prédio, a passos lentos, como se estivesse em transe. Tentou puxar o braço dele, para que desviasse a direção dele, mas os braços do homem pareciam ser de pedra.
Na verdade, tudo parecia ser de pedra, ele não conseguia puxar o freio de mão, abrir as portas nem pegar nos papéis. Resumindo, não podia interferir. Foi quando viu um papel ao lado de cambio. Era de uma construtora, chamada Travel, tentou pega-lo, mas obviamente, não conseguiria nem fazer ele se mexer. Baixou a cabeça, e começou a ler o que estava escrito. Viu que era uma carta de demissão. Não dizia os motivos, mas citava indiscrição, corrupção e complô. John não sabia muito bem o que aquele papel queria dizer, mas não teria tempo para descobrir.
Ele ouviu o baque, olhou para trás e, viu o próprio corpo sendo jogado longe. Fechou os olhos e se concentrou. Estava voltando ao seu corpo.
Quando abriu de novo os olhos, viu que estava em um grande quarto de hospital, com várias camas e alguns pacientes. Sua perna estava engessada, e seu braço todo enfaixado, no resto de seu corpo, havia pequenas feridas, talvez do seu impacto no chão.
Ao seu lado, havia um velho senhor, que dormia. Mesmo em seu sono profundo, o seu rosto era de tensão e preocupação. Pensou em chamá-lo, mas depois desistiu, não seria bom acordar um homem que ele nem conhecia.
Com o tempo, virou para o lado e voltou a dormir, mas não teve um sonho, e sim uma visão.
Estava em um apartamento escuro. Um bom apartamento. Era todo mobiliado, home theater, televisão, um jogo de sofás muito confortável, seria confortável, se não estivesse com um ar de morte.
John começou a andar, foi até os quartos, onde uma linda mulher repousava, e no outro, um bebe ria do estranho que entrava no seu recinto. John foi até o berço, o bebe o olhava, na verdade, o via, e não parecia assustado.
Ele saiu dali, percorreu o banheiro, a outra sala, onde havia uma grande mesa de jantar, com doze cadeiras e um lustre enorme acima. Ele bem olhou direito o cômodo, e foi até a cozinha, que era o único cômodo da casa em que a luz estava ligada.
Nele, havia um homem, na verdade, o mesmo homem que havia atropelado John, e ele estava com meia garrafa de uísque e um baseado no meio dos dedos. Estava com uma expressão vazia, provavelmente chapado com a maconha.
Foi quando dois homens de terno entraram na cozinha, esses usavam óculos escuros, que escondiam seus olhos. Sem falar nada, foram até a frente do homem, que parecia não enxergar nada.
Um deles ergueu a arma, e apontou direto para cabeça do drogado, e sem hesitar, atirou. Depois de se certificar que o homem estava morto, saíram daquele cômodo. John os seguiu de perto, e quando eles chegaram à porta, um homem de terno falou para o outro.
- Há alguém aqui.
- Você sentiu também?
John sentiu um frio na espinha. Eles sabiam que ele estava ali.
- É um daqueles? Falou um, dando ênfase na palavra “Daqueles”
- Provavelmente, mas não é tão forte quanto os outros.
“Outros? Há outros?” se perguntou John, “E como assim eu não sou tão forte”
- Acorde!
Ele olhou para os lados, não eram aqueles homens que estavam falando.
- Acorde, vamos, acorde!
A voz não vinha de nenhum deles, mas sim do outro lado. John estava voltando.
Ele abriu os olhos e estava no quarto do hospital. O velho homem estava olhando fixamente para ele:
- Ainda bem que você acordou, os médicos estão vindo.
- Como você sabe...
- Shii... Falou ele, enquanto o médico entrava pela porta:
- Oi John, meu nome é Leonardo, e vou ser seu médico por enquanto.
- Por enquanto?
- Sim, seu estado grave está passando, então será transferido para um hospital publico.
O silencio imperou. John sabia o porquê daquilo, ele não tinha dinheiro, nem família, e nem muitos amigos que pudessem ajudar.
- Não. Falou o velho da cama ao lado.
- Não o que, senhor Klein? Falou o médico.
- Ele vai ficar o tempo que precisar nesse hospital, por minha conta.
Leonardo assentiu com a cabeça e fez umas anotações em um formulário, depois se despediu e saiu.
- Muito obrigado. Murmurou John
- De nada.
- Não que eu esteja reclamando, mas por que você fez isso por mim?
- Nós temos muito que conversar, sobre você, e o que pode fazer.
O silencio imperou por alguns segundos, John estava se perguntando como o velho sabia o que tinha acontecido com ele e o que ele conseguia enxergar.
- O que é que você sabe sobre mim?
O velho, com dificuldade, se ajeitou na cama, até ficar sentado, respirou fundo e começou a falar:
- Filho, não é apenas sobre você, é sobre todos, sobre o mundo em geral.
- Como assim?
- Sabe, o mundo em que vivemos não é o único, há outros mundos, com outras pessoas, que não conseguiram atravessar a linha, no outro mundo, o bem e o mal são como entidades, eles trabalham separados, com seus seguidores e inimigos.
John olhava fixamente para o velho, era uma história difícil de acreditar, mas John não duvidava, era como se ele sempre soubesse.
- Esses dois mundos coexistem, bem aqui, na nossa realidade. Pessoas que estão às portas da morte, cães e gatos, e pessoas preparadas espiritualmente podem ver esse outro mundo que nos cerca.
- Mas o que isso tem a ver com o que está acontecendo comigo?
- Calma meu jovem, para você entender seu dom, você precisa saber o que há por trás dele.
- Como assim?
- Calma, me deixa continuar de onde eu estava. Há pessoas, que ignoram o que vêem, e procuram esquecer essa ligação, e aos poucos, não conseguem ver mais, e há pessoas que, como eu, que quando começam a ver, nunca param.
Ele fez uma pausa, pegou um copo de água que estava ao lado de sua cama, e depois, continuou:
- Há espíritos, que podem ser influenciados para fazer o que certas pessoas desejam, como ver o futuro, mostrar o passado, e o principal, influenciar as outras pessoas.
- Influenciar outras pessoas?
- Sim, não é grande coisa, o espírito não tem poder para tanto, mas ele pode, aos poucos, sugar suas emoções e sua vontade de viver, o deixando, como posso dizer, vazio.
Agora John estava começando a entender:
- Eu sou este tipo de pessoa?
O velho olhou para ele:
- Não, você é o tipo de pessoa que eles estão tentando parar.
John olhou para o homem, meio desnorteado. Por que eles estariam tentando pará-lo?
- Você tem um poder muito raro filho, você possui uma coisa chamada cognição, a habilidade de poder ver o que não está ao alcance das pessoas normais.
- Como você sabe de tudo isso?
- Para nós, que podemos ver os dois lados, fica fácil descobrir quem nasce com esse dom, há sinais claros disso. Você jovem, é ainda mais especial, pois alem de ver o presente, o futuro e o passado também estão ao seu alcance.
- Mas como posso usar isso ao meu favor?
- Isso meu jovem, você terá que descobrir. Agora, deixe-me dormir um pouco, nesta idade eu não posso ficar me exaltando.
O homem virou para o lado e dormiu, deixando John sozinho com seus pensamentos. O que faria a partir de agora? O que o futuro reservava para ele? Com essas perguntas ele adormeceu.
E quando adormeceu, sonhou. E quando sonhou, ele viu.
Mas o que ele viu foi diferente de tudo, é como se ele se transportasse repetidamente, vendo diferentes cenas, tendo que se concentrar para não se perder. Um médico daquele hospital recebendo um envelope de dois homens engravatados... Três carros negros parando em frente a uma casa muito bonita e luxuosa... Uma garota ajoelhada pedindo clemência enquanto dois policiais riam de sua cara... Em uma cama de hospital, ele mesmo levava tiros à queima roupa.
Aquilo tudo foi muito estranho e alucinado, mas no final, John sabia o que tinha que fazer.
* * *
Eram oito horas da manha quando senhor Klein acordou, havia poucas horas que havia falado com seu amigo, mas no seu coração, sabia que alguma coisa havia mudado. Ao olhar para o lado, viu que a cama dele estava vazia, exceto por um bilhete:
“Você me ajudou a encontrara um caminho, e agora está na hora de segui-lo.
Muito Obrigado.”
Ele sorriu e, finalmente, aceitou o destino que estava tanto evitando, apenas esperando aquele momento. Agora, ele poderia morrer em paz.
domingo, 18 de outubro de 2009
Quebra-Cabeças
Ainda me lembro quando dividia o apartamento com Lucas, meu melhor amigo e colega de faculdade. Também me lembro quando começou sua péssima obsessão por desmascarar falsários que se diziam magos.
Não me entenda mal, acho que é muito bom ter alguém que mostre que nem tudo que se vê por ai é magia de verdade, mas Lucas era muito inteligente e podia descobrir hobbys bem melhores do que este.
Era um dia de verão quando estávamos passando pela praça, na frente do mercado público, e vimos um pequeno grupo de pessoas ao redor de um homem:
- Venham, venham, hoje vou lhes mostrar uma coisa inacreditável, a verdadeira magia!
Essas palavras atiçaram a curiosidade de meu amigo, que deixou de lado imediatamente as compras de livros que pretendia fazer para ver aquele show.
Ele entrou na multidão e eu, meio contrariado, fui junto. No meio dela havia um homem com aspecto de vendedor, tentando a todo custo nos convencer de que o que ele fazia era verdade, não apenas um truque.
Na frente dele, havia uma mesa, e em cima dela, um pote de sorvete limpo e vazio, sem tampa. Ele ergueu o pote com as mãos e disse:
- Todos que quiserem que eu lhes mostre meu poder, por favor, coloquem uma moeda no pote.
Um a um, todos foram pegando o pote e colocando uns trocados, inclusive Lucas, que parecia estar muito excitado com aquilo tudo.
- Hey Lucas, vamos daqui a pouco as lojas fecham!
- Não interrompa Filipe, eu quero ver o truque.
Naquela época, eu me assustei a ver aquela expressão que hoje estou tão acostumado, a frieza em seus olhos, a face determinada e séria, muito diferente do que eu costumava ver no dia a dia.
O Mago pegou uma fita adesiva e selou o pote, com todas as moedas dentro, e falou:
- Vocês estão dispostos a dar esse dinheiro se eu realizar o meu poderoso feitiço?
Ouvi uns murmúrios, a maioria, descrente, estava concordando. Ele, percebendo a resposta, tirou um grande anel cinza do bolso e colocou no dedo médio.
Pousou a mão no pote, e dentro dele, dava para ouvir o barulho das moedas se movendo. O homem levantou a mão a alguns centímetros do pote e começou a movê-la para o lado, e assustadoramente, o pote começou a se mover junto.
- Vejam o maravilhoso poder que eu possuo, e aplaudam!
E todos aplaudiram Lucas, que olhava fixamente para o pote. Quando a multidão começou a sair que Lucas deixou o seu transe, e começou a se dirigir para longe dali:
- O que achou do truque Lucas? Perguntei eu.
- Ei, era um anel bem grande não é mesmo? Falou ele, com o pensamento longe. E esse foi o único comentário sobre o truque que consegui dele naquele dia.
A noite, não consegui dormir, e percebi que meu amigo também não. Ele dormia no quarto ao lado, e ficou a noite inteira jogando sua maldita bolinha de tênis na parede. Era um passatempo bem comum seu quando estava deitado e sem conseguir dormir.
No outro dia, ele me acordou cedo, batendo a panela com uma colher insistentemente na porta do meu quarto.
Eu, muito mal humorado, me vesti lentamente e abri a porta do quarto, mostrando um Lucas alegre e com a expressão excitada.
- O que houve?
- Resolvi. Disse ele apenas, antes de pegar seu casaco e sair pela porta, comigo seguindo atrás.
Chegando lá na praça, o mesmo homem estava realizando o mesmo truque, para pessoas diferentes.
Ele entrou no meio da multidão bem na hora que o homem colocava a mão no pote de sorvete lacrado e fechava os olhos, fingindo se concentrar.
- Que tal tentar o truque sem o anel?
O homem olhou para ele, meio aturdido e respondeu sem muita convicção.
- Você sabe, todos os magos precisam de artefatos para concentrar o seu poder...
Lucas riu, e falou:
- Que tal tentar com o meu?
Ele jogou um anel para o homem, que instintivamente o pegou. A grande surpresa é que, quando ele foi largar, o anel ficou preso no que estava em seu dedo.
- Acho que você gosta de brincar com imas. Falou ele, rindo.
Depois, pegou o anel da mão do homem, que havia paralisado de medo. Lucas botou o anel em seu próprio dedo e tirou a fita do pote de sorvete. Colocando a mão em cima do pote, a tampa se moveu e algumas moedas acabaram grudadas no anel.
- É apenas um imã. Falou Lucas com convicção. Muito mais forte que os normais, mas apenas um imã.
Então se virou para o “mago” e falou:
- Teria sido muito melhor para você se tivesse dito apenas que era um truque.
Saindo da multidão ele se virou para mim e falou:
- Acho que gostei disso, talvez continue.
Nós estávamos dirigindo para uma livraria ali perto, quando uma linda mulher nos parou. Seus olhos azuis eram penetrantes, em contraste, com o cabelo vermelho vivo. Ela olhou de cima a baixo para Lucas e então sorriu:
- Estou montando um pequeno grupo, e nosso primeiro trabalho juntos era investigar esse homem. Falou ela.
- Desculpe chegar à frente.
- Não foi nada. Falou ela sorrindo. Depois, tirou um cartão da bolsa e entregou a ele:
- Se quiser fazer isso de novo, me ligue. Falou ela.
Depois dela se afastar na multidão e nós continuarmos nosso caminho, Lucas murmurou meio baixo, só para ele:
- Definitivamente, vou continuar nesse serviço.
E assim voltamos para casa, nos preparando pro próximo dia que estava por vir, e para meu amigo talvez, um novo quebra cabeça.
sábado, 17 de outubro de 2009
1969
“Sinto o gosto de sangue em minha boca, tento cuspir, mas algo impede. Eu estou amordaçado, e uma venda cobre toda minha visão. Tento me mexer, mas meus braços e pernas estão amarrados em uma cadeira de madeira velha, mas muito resistente”.
Era um aposento escuro, não muito maior que um apartamento, mas tão escuro quanto os calabouços de um castelo. No meio dela, dois jovens estavam amarrados a uma cadeira, o sangue escorria de seus rostos e um deles já estava inconsciente.
O outro chorava e gritava, pedindo que alguém o ajude, mas não havia ninguém para ouvir.
Depois de um tempo, um homem alto e corpulento apareceu. Vestia uma farda do exercito, usava uma barba rala e em seu capacete estava uma bandeira do Brasil. Ele olhou com desprezo para o prisioneiro, e calmamente falou.
- Me diga por que você estava com esse livro, por favor. Sua voz era fria, mas passava a mensagem.
- Eu não sei como foram parar ai! Gritou o jovem.
O Policial deu um poderoso soco na cara do estudante, e sua cadeira caiu para o lado. Depois, ele levantou a cadeira e falou:
- Trate com respeito uma autoridade, pois você não está com sua turma, onde vocês fumam baseado o dia todo e falam merda.
- Sim senhor.
Ele deu outro soco na cara do garoto, desta vez mais forte, fazendo o nariz dele sangrar, e o impacto no chão ser muito maior, ferindo sua cabeça. Depois disso, ele ergueu a cadeira novamente e acordou o garoto, que estava semi-consciente.
- Sim senhor, Capitão Gonzalez, repita comigo agora.
O estudante, cheio de medo, repetiu pausadamente.
- Sim senhor Capitão Gonzalez.
- Muito bem.
Gonzalez andou um pouco, de um lado para o outro da sala, olhou para o garoto que estava desmaiado e, voltou a sua vítima:
- Agora, você pode me dizer o que estes livros estavam fazendo em sua mochila e quem deu isso para você?
- Eu já disse que não sei como foram parar ai!
Um soco poderoso fez o estudante cair, e um chute em seu peito o fez perder o ar. Depois disso, o capitão colocou seu pé encima do peito dele:
- Cada vez que você mentir levará um chute igual aquele. Agora, me conte, onde você arranjou aqueles livros.
O menino, ofegante, tentou repetir mais uma vez, com o resto de suas forças:
- Eu... Não sei... Como os livros... Foram... Parar... Ali.
O Capitão, irritado, deu chutes repetidas vezes no peito do garoto, que perdeu todo o ar e fraturou uma costela. O homem pegou um balde de água e tocou no garoto, fazendo-o acordar.
Depois, ele tirou uma faca longa, muito bem afiada, e pousou a em cima das mãos do estudante. Levantou-a, acima de sua cabeça e a baixou com um movimento rápido. Ele começou a gritar de dor, mas logo parou, a dor em seu pulmão era, naquele momento, muito pior que o dedo que fora separado de sua mão.
-Agora, você pode me responder, quem lhe deu esses livros? Gritou Capitão Gonzalez
A voz do garoto era só um sussurro, mas o capitão sabia muito bem o que ele estava tentado dizer.
Suspirando, ele foi até uma mesa, um pouco afastada das cadeiras e pegou um revolver. Calmamente, colocou uma bala na arma e voltou até onde estava. Depois disso, apontou a arma para o garoto.
“Ouço vozes e um estouro ao fundo, talvez Jonas não tenha conseguido. Estou imerso aqui, em meus pensamentos, com medo da hora em que chegar minha vez. Não sei se vou resistir”.
Ele pegou o corpo de Jonas e tirou da cadeira, levou-o até uma parte afastada do porão e o deixou ali, aquele coitado não merecia um enterro descente.
Depois disso, foi até o outro estudante, que estava desacordado, e retirou a venda. Então, foi até a pia, colocou um pouco de água em um velho copo e logo depois, jogou na cara do jovem. Ele foi acordando lentamente, seus olhos pesavam e exibiam uma expressão de cansaço.
- Meu nome é Capitão Gonzalez, e o senhor foi detido por porte de material proibido, a partir de agora você deverá responder todas as minhas perguntas. Entendeu?
Ele olhou bem para a cara do capitão, e respondeu:
- Sim senhor, Capitão Gonzalez.
- Muito bem então, agora, vamos começar. Você e seu amigo foram encontrados com material suspeito, quem lhes deu esses livros.
- Eu não sei senhor, eu não estava junto na hora.
O homem tirou seu casaco, se preparou e deu um poderoso murro na cara do estudante, que caiu no chão imediatamente.
“A dor que senti agora foi muito intensa, tenho certeza que quebrei o nariz e o impacto ao cair no chão me fez quase perder a consciência. Tenho medo do que pode acontecer a partir de agora”.
- Não minta para mim garoto, o outro tentou, e não ficou muito bem.
- Eu não menti senhor. Falou calmamente.
O Capitão levantou a cadeira, e olhou diretamente para o rosto do estudante:
- Qual o seu nome garoto?
- Felipe, senhor.
- Muito bem Felipe, você parece mais esperto que o outro, então me diga, como conseguiram os livros e com quem.
- Não sei onde Jonas conseguiu, mas ele queria levar para outra pessoa.
Ele tirou uma faca do bolso, segurou-a com as duas mãos, e cravou diretamente na coxa direita de Felipe, que gritou imediatamente. Começou a mover a faca de cima para baixo, de um lado para o outro, rasgando a carne, e ensopando a calça com sangue.
- Talvez isso faça você se lembrar de alguns nomes.
“A dor e muito forte, estou me segurando para não gritar imediatamente, não consigo pensar direito”.
Gonzalez sabia em que lugar podia acertar com a faca sem fazer a pessoa morrer, apenas para fazê-la falar. E no final, quase todos falavam. Ele ergueu sua faca novamente, e cravou-a na altura da barriga, um pouco ao lado do estomago.
Mais uma vez, Felipe gritou. Ele chorava de dor, rezando desesperadamente para que ela passasse. Capitão Gonzalez olhava para tudo aquilo com um ar cruel, ele controlava os interrogatórios por que era o melhor, e talvez sentisse prazer em matar.
“Quero morrer, esta dor está insuportável, espero que ele me mate logo”.
- Lembrou se de algo?
- Me... Mate... Sussurrava ele
- Não se preocupe, eu vou te matar, a diferença via ser o tempo que vai levar.
“Talvez seja hora de desistir, talvez ele me de uma morte rápida se eu falar”.
- Tudo... Bem...
- Você vai falar?
- Sim... Chegue mais perto...
O Capitão quase encostou seu ouvido na boca de Felipe, que sussurrou tudo o que sabia. Ele não era tão forte quanto Jonas, e se arrependia de sua escolha a cada nova palavra que dizia.
Gonzáles saiu de perto e foi de novo até a mesa, retirou seu revolver do cinto e colocou mais uma bala. Depois, voltou até onde Felipe estava e deu apenas um tiro. Direto na cabeça.
“Queria pedir desculpas a todos meus amigos, pois não fui tão forte nem tão corajoso quanto Jonas, e agora, nas portas da morte, me arrependo do que fiz, mas para mim, a escuridão parece reconfortante”.
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