sábado, 17 de outubro de 2009

Desolação

Albert acordou em um lugar escuro, sua cabeça doía e ele mal conseguia mexer suas pernas. Seu corpo estava pesado e seus braços duros. Não sabia por quanto tempo estava desacordado.
Com extrema força de vontade, ele saiu da cama, e seus pés tocaram o chão azulejado, perdendo a força novamente. Não sabia o que estava acontecendo, nem o porquê de não haver ninguém naquele lugar.
Saiu do quarto e percebeu que estava em uma espécie de hospital, onde a sujeira imperava e vários pacientes haviam fugido, dando ao lugar um aspecto de desolação.
Nos corredores escuros outros se juntavam a ele. Nenhum deles quis falar, estavam presos em seus próprios pensamentos, próprias esperanças.
Todos juntos, foram até a porta, de cabeça baixa, sem vontade de levantar os olhos e mostrar o que estavam sentindo.
No momento em que empurraram aquela porta, e levantar suas cabeças, todas suas esperanças vieram a baixo, e pela primeira vez, mostraram o que realmente sentiam.
Muitos caíram no chão, sem forças para continuar. Outros começaram a chorar, temendo que não houvesse ninguém além deles. Seus corações pesavam, e uma angustia tomou conta de todos.
Pois aquele era um mundo de dor meu amigo, onde a paisagem estava refletindo o que se passava dentro de seus ocupantes. Um mundo onde a raiva tomava conta, e a bondade havia sido deixada de lado.
Albert, o mais velho dos homens ali, foi com passos lentos até a rua, olhou em volta, para a cidade destruída. Sua cara estava impassível, pensando em que escolha deveria tomar.
Depois de muito pensar, ele olhou para trás e viu aquelas pessoas, várias delas ainda não haviam se recomposto, e observavam aquela destruição com um olhar apavorado.
O velho pegou um pedaço de madeira no chão, voltou para dentro do hospital, e com o graveto deu um jeito de trancar a porta.
Eles não estavam preparados para enfrentar a realidade. Pelo menos, não ainda.

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