Eduardo havia acabado de descobrir que ganhara a chance de participar de um reality show, desses em que deviam sobreviver em uma ilha por tempo suficiente, eliminar os outros e ganhar muito dinheiro. Ele foi avisado uma semana antes de começar, tempo suficiente apenas para pedir dispensa do emprego, se despedir de sua namorada e ir até o hotel, em que tinha que ficar pelo menos cinco dias, para se solar das outras pessoas.
“Eu tirei a sorte grande” Pensou. “Vou fazer todos virarem meus amigos e, na hora certa, descartarei um a um, preciso muito deste dinheiro, e vou levá-lo a qualquer custo”
Depois de cinco dias naquele hotel de luxo, em que Eduardo aproveitou cada momento, todos os participantes tiveram que ir ao navio, que os levaria a ilha. Dentro daquele navio que todos os participantes puderam se conhecer e conversar. “Preciso começar a fazer amizades, uma hora elas podem me ser úteis”
Andou um pouco pelo barco, falando relativamente pouco com as pessoas, analisando-as, descobrindo quais seriam as melhores dali para ajudá-lo em seus objetivos, e em um grupo de dez pessoas, apenas uma lhe pareceu boa o suficiente. Ana, uma jovem linda e meiga, mas que era muito mais inteligente do que aparentava. Eduardo descobrira isso na primeira vez que falara com ela, ainda no barco.
- Oi, posso me sentar aqui?
Ela olhou o por alguns minutos:
- Claro, e fique a vontade para analisar as outras pessoas daqui.
-Ele olhou para ela espantado, nunca ninguém havia percebido suas estratégias tão rápido.
- Do que você está falando?
A expressão dela mudara de meiga e gentil para séria e interessada.
- Você observou a todos no barco, falou razoavelmente pouco com todos e decidiu sentar logo aqui, isso quer dizer que eu sou uma das que você escolheu, mas não deseja manipular apenas uma pessoa, isso seria burrice, não adiantaria de nada, você precisa que pelo menos um pequeno grupo fique a disposição a você.
A expressão dele também mudara, de espantado para sério:
- Como você sabe disso?
Ela ergueu as sobrancelhas:
- Se lhe contasse, eu não seria mais tão útil para você não é?
Ele continuou inabalável:
- E o que você quer?
- Se um de nós vencermos doará 40 por cento do premio para o outro.
- Tudo bem, mas como sabe que um de nós não irá mentir no final e fugir com o dinheiro.
Ela o olhou sério, e Eduardo poderia jurar que ela estava ficando irritada, mesmo que seu rosto não transparecesse.
- Pro seu bem, é melhor que não faça isso, pois então não irá muito longe.
Depois disso voltou àquela mesma expressão de antes, meiga e gentil. Saiu e o chamou junto, e seus olhos rapidamente apontaram para outro ponto no barco. Ele sabia muito bem o que era, havia câmeras ali dentro, e eles já tinham sido descuidados demais no início da conversa.
Ela estava escorada nas grades de segurança do navio quando ele chegou e se sentou ali perto de onde estava escorada:
-Você acha que as gravações nos prejudicaram?
-Não. Respondeu ela. Aqui ninguém sai por voto popular, e sim pelo voto dos outros, e tenho certeza que nenhum deles pareceu prestar a atenção no que estávamos conversando.
Os dois ficaram em silencio, até que chegou um homem, pelo que Eduardo sabia seu apelido era Betão, formado em educação física e era de uma família rica, um daqueles que pagou para estar ali.
- Vamos dançar gata? Falou ele para Ana.
- Claro. Falou ela, saído dali e piscando para Eduardo.
Pensando bem na situação, ele era o único que não estava com a vida garantida de saísse do jogo sem vencer, pois toda sua família estava morta, sua namorada provavelmente terminaria com ele para ficar com outro cara e nunca teve dinheiro para cursar uma faculdade.
“Talvez seja por algum motivo que vim para cá”, ”Se eu sair daqui vou começar uma faculdade, talvez subir na vida pelos meios honestos’, foi quando viu Ana voltando para o lugar onde ele estava. ”Ou não” pensou.
- O cara é um líder nato, mas fácil de ser manipulado, talvez consigamos que ele fique do nosso lado.
- Sim. Falou Eduardo, sua mente de repente se voltara para ilha, que estava a poucos quilômetros a sua frente. Por que nunca ouvira falar dela?
- O que você sabe da ilha para qual estamos indo?
- Rumores, apenas rumores. Alguns dizem que foi dos militares, que estavam fazendo experimentos e decidiram que, depois de vários fracassos a liberaram para a empresa do programa. Outros dizem que teve uma guerra não noticiada aqui há poucos anos, e que o povo da ilha foi exterminado.
Agora ele estava com um estranho mau pressentimento.
À noite, o barco parou a quase quinhentos metros da ilha, e uma voz feminina começou a sair dos alto-falantes.
- Competidores, a partir daqui a competição começou, vocês devem nadar até a praia, onde receberão novas ordens.
Todas as pessoas pularam no mar, deixando Eduardo para trás, que foi seguido por Ana, não seria bom se eles se separassem agora.
A maioria estava nadando concentrada em sua velocidade e força, mas quem olhasse para praia veria uma série de vultos negros pulando no mar, na direção contrária. “Aquilo não pode ser bom” Pensou ele. Os competidores mais a frente então começaram a ser submergidos e não voltaram mais. Os demais estavam tão concentrados que não perceberam que estavam nadando em sangue, sendo puxados para o fundo segundos depois.
Eduardo parou imediatamente, segurando Ana, que já estava indo, sem olhar o que estava acontecendo.
- Olhe, você vê alguém na frente?
- O que aconteceu?
- Não sei, mas vou voltar para o barco, antes que aconteça o mesmo comigo.
E ele voltou para o lado do barco, esperando que tivesse um radio para pedir ajuda. Ao chegar à escada, uma mão branca e gelada agarrou-o pelo braço e o suspendeu no ar. O que Eduardo viu ele não esquecerá jamais. Um grande homem com cabelos negros e pele extremamente branca estava a bordo do barco, tinha uma força extraordinária, seus olhos eram absurdamente vermelhos e seus caninos muito maiores que o normal.
Ele falou, com uma voz gélida, que fez Eduardo sentir medo, ainda mais medo do que quando viu a água manchada de sangue.
- Você foi esperto o suficiente para não continuar adentrando em nosso território. Não permitimos estranhos aqui, e os que tentarem, serão exterminados.
Eduardo tentou falar, mas sua voz não quase não saiu:
- Você vai me matar também?
O grande homem o trouxe para perto, a poucos centímetros do seu rosto.
- Não matamos se não for necessário, e tenho certeza que vai se lembrar disso.
E sorriu levemente:
- E fará os outros de sua raça lembrarem também.
Depois disso, lançou-o ao mar, com tanta força que ele foi cair a vários metros do mar.
Depois disso, gritou. Mas não pareceu um grito, a voz veio a Eduardo tão suave quanto um sussurro.
- Você nos deve sua vida, e um dia, voltaremos para cobrar.
Desaparecendo com o barco na névoa, deixou ele pensando em como faria para voltar. Depois, olhou para Ana, que também havia sido deixada viva por aqueles vultos, mas estava desacordada. “Acho que terei que voltar a nada, mas como farei com ela, a deixo aqui?”. Nadando, chegou até ela e a botou nas costas, firmando como podia. “Vou levá-la junto, pode me ser útil algum dia’. Depois olhou para o horizonte e suspirou. ‘ Será uma longa viagem de volta”


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